Plataforma das Artes e da Criatividade em Guimarães

Integrada numa Press Trip, promovida pelo Minho In à CIM do Ave, tivemos oportunidade de visitar a Plataforma das Artes e da Criatividade, em Guimarães. Pode parecer estranho, mas a verdade é que já vivemos em Guimarães há seis anos e nunca tínhamos visitado este espaço. Se calhar não é tão estranho assim. Quantos de nós já visitamos lugares tão longe de casa e nunca perdemos tempo para conhecer o museu da nossa cidade ou a aldeia que fica ao virar da rua?  


O espaço onde hoje sita a Plataforma das Artes e da Criatividade foi durante  anos o mercado municipal de Guimarães, projectado por José Marques da Silva, um arquitecto de renome e muito querido na cidade berço, já que para além de projectar o mercado foi responsável também pelo edifício da Sociedade Martins Sarmento e pelo Santuário da Penha. 


Mas, o mercado que durante os anos do Estado Novo fervilhava de balbucio, começou a definhar especialmente no século XXI. A cidade mudara. Guimarães crescera, O mercado central, tão perto das zonas nobres da cidade, como o Toural ou o centro histórico, tornara-se menos acessível, com transito congestionado, dificuldades de estacionamento e, para os comerciantes, grandes dificuldades para os transportes fazerem o abastecimento diário das bancas. A cidade de Guimarães, assim como qualquer cidade portuguesa, mudou muito. O centro da urbe deixou de ser a zona mais acessível da cidade e o mercado começou a perder os seus mais fiéis clientes. A obra que José Marques da Silva projectou começou a dar sinais de abandono e o que era uma imagem da paisagem urbana de Guimarães, criado para ser uma área agregadora, começava a definhar. 


Integrado num projecto de revitalização urbana para acolher a Capital Europeia da Cultura 2012, o mercado foi parcialmente recuperado para galerias e lojas e, a parte leste, renovada, tendo aí nascido um projecto moderno de arquitectura. Um edifício inspirado em Le Corbusier e Mies van der Rohe, construído em betão armado e revestido a tubos de latão e soldados de forma manual, deu forma à Plataforma das Artes e da Criatividade, um espaço que promete ser um local de actividade artística, cultural e sócio-cultural. O projecto foi tão arrojado que, embora inicialmente pouco compreendido pela população vimaranense, começou a conquistar adeptos à medida que era galardoado com diversos prémios de arquitectura, tais como o Detail Prize Award 2012, o Reddot Design Award “best of the best 2013”, o Copper in Architecture Awards – European Copper Institute ou a nomeação para a lista final dos 25 projectos doEuropean Union Prize for Contemporary Architecture Mies van der Rohe Award 2013. 


Hoje, a Plataforma das Artes e da Criatividade acolhe uma exposição permanente de José Guimarães, um artista filho da cidade e que muito orgulha a população vimaranense. A exposição divide-se por várias salas, organizadas de forma temática com arte africana, arte pré-colombiana, arte chinesa e obras criadas pelo artista. As obras expostas resultam de inúmeras viagens levadas a cabo por José de Guimarães, viagens essas que começaram com a sua estadia em Angola durante o período da Guerra Colonial. Dessa estadia no país, assim como em muitos outros da África Ocidental, José de Guimarães recolheu vários objectos de arte e etnografia, especialmente máscaras que se encontram expostas na Plataforma. Esta colecção é verdadeiramente inspiradora e permite ao visitante algo que é cada vez mais raro, viajar no tempo e levar o seu imaginário de encontro às tribos africanas. 


As viagens empreendidas por José de Guimarães marcariam para sempre a sua visão do mundo, assim como a forma como expressa a sua arte, Já alguém dizia "nós somos o por onde os nossos pés pisaram". E a obra artística de José de Guimarães mostra isso mesmo: um homem viajado, com mente aberta, com uma visão alegre e colorida do mundo e que nos deu confiança e inspiração. 

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