Soldadinhos de chumbo

Mesmo para quem não tem uma veia militarista, a visão de um conjunto de soldados, todos vestidos de igual, e com movimentos e passos sincronizados ao som de um ritmo certo, é algo que nos faz apetecer marchar ao lado deles. Foi isso que senti quando, em Copenhaga, acompanhamos a marcha da Guarda Real, quase desde o seu início, até chegar à praça em frente à sede da monarquia dinamarquesa, o palácio (Slot) de Amalienborg.


Uma das alas do palácio está aberto ao público, mas contentamo-nos a vê-lo de fora, uma vez que a entrada era algo cara e já tínhamos em mente visitar outro palácio, o Rosenborg Slot.


Com a escolta da polícia municipal, os soldados e a banda de música atravessam as ruas e rotundas, fazendo parar o trânsito, e atraindo as atenções. Na sua marcha, a Guarda Real percorre algumas das ruas mais comerciais do centro da cidade, sendo o alvo das máquinas fotográficas de turistas e locais (estes últimos, menos, uma vez que o desfile acontece diariamente).


Quando chegam à praça do palácio, segue-se um protocolo composto de movimentos e músicas ensaiadas, culminando no render da guarda e troca de bandeiras. Todo esta encenação é seguida de perto por dezenas de pessoas que tentam aproximar-se para a foto ideal, sendo por vezes chamados à atenção pelos polícias dinamarqueses (de uma forma civilizada, entenda-se!). 


É uma cerimónia simples, mas evocativa e simbólica, num país que tem a monarquia mais antiga da Europa. É por isso incontornável, para quem passa alguns dias em Copenhaga, assistir e deixar-se levar pelos ritmos de marcha militar e pela sensação de continuidade de poder que uma monarquia dá aos seus súbditos. 


O facto das repúblicas europeias e respectivos sistemas políticos estarem a passar uma profunda crise económica e de identidade, ao passo que os países mais ricos e melhor organizados da Europa são monarquias (ainda que com sistemas parlamentares de governo), nomeadamente, a Dinamarca, Suécia, Holanda e Noruega, faz-nos pensar, não?


Etiquetas: