Descobrindo o delta Sine Saloum

O delta de Sine Saloum é um dos lugares mais bonitos do Senegal. A paisagem de terra vermelha com planícies salgadas e ocasionais embondeiros estendem-se até se perderem de vista. Mas, entre estas áreas planas e áridas, há uma imensa rede hidrográfica onde os rios Sine e Saloum se abrem em vários braços, desaguando em delta no oceano Atlântico. Percorrer esta imensidão de linhas de água, povoadas por florestas de mangais, foi o que nos trouxe até Dnangane, o nosso ponto de partida para explorar as ilhas e a biodiversidade do delta. 


Assentamos temporariamente na cidade de Dnangane. Não foi muito tempo mas foi o suficiente para receber o calor destas gentes do delta, bastante mais afáveis do que os povos do sul do Senegal. Passeando pela zona do molhe encetávamos conversa com alguns locais que nos garantiam que o delta era magistral. Se no dia seguinte se mostrasse tão bonito como naquele fim de tarde, tínhamos a certeza que iria ser uma experiência inesquecível. 


Depois de contemplar um pôr-de-sol magnífico, terminamos o dia a comer gambas grelhadas com alho e manteiga. Simplesmente divinal. 



No dia seguinte, bem cedo para aproveitar os primeiros raios de sol da manhã, saímos numa piroga do "my friend" Ablullah. A piroga percorria os canais do delta em busca dos pássaros que, devido às rotas migratórias, estão nesta altura do ano por terras senegalesas. Há diversas espécies de pássaros mas os mais numerosos são os pelicanos, os corvos-marinhos (cormorão) e as garças. Os raios de sol iluminam os mangais e os embondeiros (baóbas), e os pássaros deliciam-se com o calor da manhã.






Depois de visitar as ilhas dos pássaros, seguimos viagem até Mar Lodj, uma ilha de areia e conchas no meio do delta. Há cerca de 1200 habitantes na ilha que se distribuem por quatro pequenas povoações. A população é extremamente afável e as crianças brindam-nos com um sorriso rasgado em qualquer esquina. Pedem-me frequentemente "gateaux". Em tom de brincadeira digo-lhes "ne nous sommes pas des bons touristes", e elas riem e respondem "pas grave". Apesar de não lhes dar presentes, tenho sempre abraços e beijos para distribuir. 




A ilha de Mar Lodj ainda não tem electricidade e a vida segue o ritmo do sol. Na praça principal da povoação encontro a minha "mãe senegalesa", uma anciã que ontem encontramos no autocarro e nos fez companhia na viagem. Corro para ela e dou-lhe um forte abraço. Ela também me abraça e parece feliz por nos ver na sua ilha. 


Vagueando pelas ruas de terra, ladeadas por habitações de adobe, fomos perdendo a noção do tempo e a manhã passou-se. Mas, havia que continuar viagem. Seguimos para uma pequena ilha de areia onde almoçamos dourada grelhada preparada pelo nosso pirogueiro. 


O sol estava bastante forte e o calor apertava. Depois do almoço voltamos à piroga para atravessar o delta a caminho de Djifer, a povoação costeira onde os rios desaguam no mar. Quando a piroga chegou à praia, despedímo-nos do pirogueiro. De seguida, eu e o Rui olhamos um para o outro e não queríamos acreditar no que víamos. Será que existe mesmo um lugar assim?


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