De Djifer a Joal-Fadiouth pela costa atlântica


Quando a piroga que nos trouxe até Djifer atracou na praia haviam dezenas de barcos de pescadores na areia de frente para o rio. Outros tantos chegavam da costa atlântica carregados de peixe e mariscos apanhados durante o a noite.



Os barcos encontravam-se dispostos em filas ordenadas, impecavelmente organizados e os pescadores ainda sacavam as redes de pesca e as capturas para a areia. Centenas de mulheres esperavam na praia pelo peixe e pelos bivalves, nomeadamente búzios. Quando atracamos na praia reparamos nas dunas que se erguiam por trás dos barcos mas estávamos longe de imaginar que se tratavam de "montes de búzios". Montanhas e montanhas de búzios vazios separavam a aldeia dos pescadores da praia.




Os búzios parecem ser a espécie mais capturada nestas águas, assim como as raias. Os pescadores expõem as capturas na areia em busca de compradores. Há dezenas de vendedores e o balbucio e regateio é constante.


O cheiro a peixe e marisco fresco entra-nos pelo nariz dentro e é uma sensação indescritível. Associado à belíssima paisagem humana, com uma densidade populacional impressionante, Djifer exibe um mar azul turquesa, sem resorts turísticos e sem praias comerciais. A areia está cheia de pedras e há algumas árvores e arbustos. Aqui as crianças brincam e as cabras passeiam-se. Se não fosse a quantidade de resíduos que aqui existe, este lugar poderia ser um pequeno paraíso.



À semelhança de todo o Senegal, os resíduos sólidos são um problema. Os plásticos, embalagens, latas e cartões amontoam-se nas ruas em torno das vilas e cidades. Ao que parece, apenas existe recolha de resíduos na cidade de Dakar, o resto do país está à mercê da natureza humana.


Caminhando entre os barcos dos pescadores, os montes de búzios e atravessando a aldeia chegamos ao centro de Djifer onde arranjamos um sept-place para Joal. 


Inicialmente tínhamos pensado ficar num acampamento junto à praia em Palmarim de forma a podermos aproveitar um bocado o mar. Mas, se assim fosse, não iríamos ter tempo para visitar Joal e a ilha das conchas em Fadiouth. Acabamos por optar seguir viagem directamente até Joal.


Nós pensavamos que o sept-place nos levaria directamente até Joal, mas estávamos enganados. O carro parou em Sambadie, no cruzamento da estrada de Joal e Ndangane e aí, como não tinha passageiros suficientes para seguir viagem, mudamos para um autocarro ndiaga ndiaye. Como eram apenas 12 km achamos que nada poderia correr mal e que ia ser rápido. Mais uma vez, estávamos enganados!



A meio do caminho, nas planícies vermelhas e salgadas do delta, o autocarro furou o pneu e lá ficamos nós mais de meia hora parados na estrada. Felizmente havia um grande embondeiro próximo e pudemos desfrutar da sua sombra. Ao que parece é mesmo o maior embondeiro do Senegal. Se tivesse sido planeado não tínhamos conseguido visitá-lo, tenho a certeza.



Mais de duas horas depois de sair de Djifer (menos de 30 km) chegávamos a Joal. Pousamos rapidamente as coisas no Auberge Le Thiouraye e seguimos a pé até à ilha de Fadiouth.


A cidade de Joal fica também no delta de Sine Saloum porque um dos braços do rio Saloum desagua aqui. No entanto, o delta é menos imponente e a cidade tem pouco encanto. Já a cidade de Fadiouth, a cidade gémea, construída sobre uma ilha de conchas compensou a decisão de viajar até cá.




Atravessamos uma ponte pedonal de madeira que liga o continente à ilha e depois caminhamos por ruas de conchas. Até as casa são feitas com tijolos com conchas. Por incrível que pareça, o cemitério é um dos lugares mais interessantes da ilha porque têm sepultados lado a lado cristãos e muçulmanos.  O espaço é todo feito em conchas, com vários embondeiros e vistas magníficas sobre o delta.




Sentamo-nos no cemitério (dito assim parece estranho) a contemplar mais um pôr-do-sol em África. É o nosso último pôr-do-sol no delta mas é o primeiro que tem como pano de fundo as campas tumulares.

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