A Declaração Universal dos Direitos do Homem - Uma viagem até Pasargadae, o túmulo de Ciro.

Pasargadae foi a capital do Império persa durante a governação de Ciro, O Grande. Este é, provavelmente, a figura mais venerada e reconhecida no Irão. O imperador da Pérsia foi o criador do império Aqueménida, o maior império até então visto na história da Terra, unificou povos desde a Palestina ao Afeganistão, criou a base da actual Declaração dos Direitos do Homem, mas também cometeu muitas barabaridades (como tantos no seu tempo). Coincidentemente, foi também em Pasargadae que Ciro foi sepultado.


Ciro terá sido alegadamente responsável pelo que se chama "O Cilindro de Ciro", um cilindro de argila, no qual está escrita uma declaração em grafia cuneiforme acadiana, em nome do rei Aqueménida da Pérsia. Descoberto nas ruínas da Babilônia (actual Iraque), em 1879 (hoje encontra-se no British Museum), o texto relata a entrada de Ciro na Babilónia e exalta os esforços de Ciro como um benfeitor dos cidadãos da cidade e responsável por melhorar as suas vidas, repatriar os povos deslocados e restaurar templos e santuários religiosos na região. Estas inscrições fariam deste documento um percursor da Declaração Universal dos Direitos do Homem.

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Mas, da cidade que outrora brilhou na Pérsia pouco ou nada resta. Foi tudo destruído pelos exércitos que arrasaram a Pérsia desde que Alexandre, O Grande, também passou por aqui. Nesta altura, a capital já era Persépolis, mas os túmulos de Ciro e do seu filho estavam em Pasargadae.  Consta que Alexandre, O Grande, terá pago para que o trouxessem aqui.



Dizem pelo Irão que um general de Alexandre descobriu no seu túmulo uma cama em ouro, uma mesa montada com copos, um caixão de ouro ornamentado com pedras preciosas e uma inscrição dizendo "Transeunte, eu sou Ciro, que deu aos Persas um império, e foi rei da Ásia. Não invejes, portanto, este monumento."


Como conseguiu sobreviver intacto este túmulo numa das regiões mais conturbadas da Terra? Esta é uma questão que curiosamente é fácil de responder. Consta que quando os árabes invadiram a Pérsia, os persas fizeram crer aos seus invasores que aquele túmulo pertencia à mãe do Rei Salomão, designação que mantêm entre os populares até hoje. Esta falta da verdade levou a que tenha sido poupado ao saque e à destruição, ao contrário do que aconteceu ao resto da cidade.  


As ruínas de Pasargadae espalham-se por uma área de cerca de 1,6 km2, desde o forte Toll-e Takht, o túmulo e algumas colunas de palácios e antigos jardins que aparecem de quando a quando.

Coincidentemente descobrimos que em Pasargadae "também se fala português". No mundo dum poeta brasileiro, Manuel Bandeira, este escreve um poema onde retrata a história de um homem que procura Pasargadae, uma cidade utópica.


Vou‐me embora pra Pasárgada

Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei

[…]

E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
— Lá sou amigo do rei —
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada.

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