Yazd

Saímos de manhã cedo de autocarro de Esfahan, rumo à cidade de Yazd. Pela primeira vez nesta viagem, iríamos ficar hospedados num hotel. Queríamos fazer uma tour de um dia pela região do deserto, e como estas são organizadas pelos hotéis, achamos que seria mais prático se ficássemos hospedados no mesmo local. A nossa escolha recaiu sobre o Silk Road Hotel (será um prenúncio?...).


Tínhamos telefonado no dia anterior, e combinado o preço de 30 euros por um quarto duplo. Super-caro, tendo em conta que estamos no Irão e também a altura do ano. E apesar de ser uma casa antiga, com os quartos dispostos à volta de um átrio bastante interessante, a verdade é que está um pouco mal tratado. Quando chegamos, negociamos logo o preço conjunto do quarto+tour. Depois de mudarmos de quarto 2 vezes (no primeiro, o ar condicionado não funcionava,  e o segundo era um twin), lá conseguimos um preço mais razoável (20 euros) e combinamos que iríamos, no dia seguinte, fazer o percurso por Kharanaq, Chak-Chak e Meybod, antes de nos dirigirmos à região do Dasht-e-Kavir, para um vislumbre do deserto iraniano e um passeio de camelo!


Por agora, era tempo de almoçar e descansar... Mas por pouco tempo, pois tínhamos só essa tarde para visitar a cidade velha de Yazd!


Aquando da nossa chegada, fizemos o percurso a pé desde a praça Beheshti até ao nosso hotel, permitindo-nos ficar logo com uma boa noção da localização de alguns pontos de interesse. O hotel fica a poucos passos da Mesquita Jameh do séc.XV, que domina a cidade velha com um dos portais mais altos do país e um minarete de 48m de altura, e fica ainda mais perto do mausoléu Bogheh-Ye Sayyed Roknaddin, com uma fabulosa cúpula.


Foi por aqui que iniciamos o nosso percurso pelo centro histórico de um núcleo urbano que fazia parte da Rota da Seda (daí o nome do hotel!) e que discute o título de cidade mais antiga do mundo actualmente habitada, com presença humana há mais de 7000 anos.


Um verdadeiro labirinto de ruelas que serpenteiam pelo meio dos edifícios feitos de adobe, a verdadeira atracção é o conjunto em si, mais do que alguns edifícios em particular. E mais do que querer seguir um percurso pré-determinado (tarefa quase impossível!), o mais interessante foi andarmos perdidos e à descoberta num misto de áreas mais cuidadas e outras com casas em ruínas, que pareciam ter sofrido o seu fim às mãos da natureza.


O horizonte dos telhados é dominado pela presença dos badgir, uma maravilha da engenharia criada pela necessidade de sobrevivência no clima inóspito local. As altas temperaturas que se fazem sentir no verão (e que mesmo agora já o eram bastante!) tornam a refrigeração das casas um ponto fulcral do bem estar dos habitantes.


Os badgir são a solução encontrada: uma coluna com várias entradas de ar, que canalizam a mais leve brisa para dentro de casa e a direccionam para cima de uma piscina com água fresca. O ar arrefecido irá refrescar a casa, enquanto que a parte do ar ainda quente é dirigida novamente para cima, saindo por outras aberturas.

Alguns dos edifícios que se destacam pela sua antiguidade e por estarem melhor cuidados são, por exemplo, uma casa tradicional com 150 anos, da era Qajar e de seu nome Khan-e-Lari, e a chamada "prisão de Alexandre", que agora alberga algumas lojas em torno do átrio onde se encontra um poço que teria sido usado pelo macedónio como prisão, quando por aqui passou nas suas conquistas.

Depois da cidade velha, visitámos a mesquita Hazireh, com vitrais fabulosos, e dirigimo-nos à zona do bazar. Destinado ao consumo local, a essa hora (cerca das quatro da tarde), poucas eram as lojas abertas. Parece que era a hora da sesta para escapar ao pico do calor!

Finalmente, é incontornável a fachada do complexo de Amir Chakhmaq, um dos Husseinieh mais famosos do Irão, construídos para assinalar a morte do Imã Hussein, um dos mais importantes mártires dos muçulmanos shiitas.

Nos últimos dias, a rotina tinha sido "deitar tarde e cedo erguer" e isso sentia-se nos nossos corpos! Decidimos então regressar ao hotel (já que estávamos a pagar, mais valia desfrutarmos um pouco), lancharmos e descansarmos um pouco. A verdade é que nos deitamos por volta das sete da tarde e só nos levantamos no dia seguinte! Com as baterias recarregadas, estávamos preparados para mais um dia sempre em movimento...

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