Kharanaq - Viajando nas memórias geográficas


O Irão que até hoje preencheu o meu imaginário foi aquele que encontrei em Kharanaq, a cerca de 70 km de Yazd. Kharanaq é uma aldeia de adobe com mais de mil anos, contudo os historiadores acreditam que esta área do vale tenha ocupação humana há mais de 4000 anos.


Outrora uma aldeia imponente, hoje são poucos os aldeões que ainda aqui vivem. A aldeia está deserta, as casas estão abandonadas, as paredes revelam a erosão provocada pelas precipitações.


Apesar das condições, ainda se vêem alguns aldeões que resistiram ao poder atractivo das grandes cidades. Permanecem aqui e vivem da criação de gado caprino e das culturas que retiram dos campos graças a um sistema de irrigação milenar. Tentam a todo o custo combater as adversidades do clima e a aridez dos solos. O leito do rio está completamente seco. A água tem que ser transportada através de um aqueduto que vem da montanha e depois é distribuída através de pequenos canais. A luta entre o Homem e a natureza trava-se aqui todos os dias.


A aldeia tem duas mesquitas: uma construída em adobe e que data do século XVII com um minarete que oscila devido à utilização de madeira no seu interior; a outra, do outro lado do vale, é mais moderna, colorida e está completamente isolada junto à base da montanha no meio dos campos agrícolas.



Kharanaq faz-me viajar no tempo. Parece que podia estar aqui há 100 ou 200 anos atrás que tudo seria igual. No entanto, sou levada a pensar que talvez nessa altura pudesse ter visto crianças. Na Kharanaq de 2012 as crianças não existem. Ficaram apenas os idosos, que tal como a aldeia, travam uma luta contra o tempo. Mais uma batalha entre o Homem e a natureza, mas esta o Homem está condenado a perdê-la.  


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