Vielas, gentes e histórias de Istambul

Desde que chegamos a Istambul, sabíamos que voltaríamos. Porque a cidade tem imenso para ver e visitar e porque a Turquia é um destino incontornável a que teremos de voltar, mais cedo ou mais tarde. Sendo assim, e tendo em conta o pouco tempo que tínhamos para a cidade, tivémos de fazer algumas escolhas, deixando para outra oportunidade (eventualmente com meteorologia bem mais favorável...) algumas das atracções da cidade. Um desses casos foi o palácio de Topkapi, que decidimos apenas visitar a parte interior à muralha, mas exterior ao palácio propriamente dito.

Foi por aí que começámos de manhã, não muito cedo, pois a noite anterior tinha sido a da passagem de ano... Entrámos pelo portão imperial e, logo aí, pudémos admirar a magífica igreja bizantina do séc. VI de Haghia Eirene. E digo igreja, pois é a única que não foi convertida numa mesquita, apesar de ter sido usada muitos anos como arsenal... A sua beleza austera e o facto de ser um testemunho quase único de uma época tão longínqua fizeram-me sentir uma estranha atracção por ela e só me apetecia ver o seu interior único! Infelizmente, está fechada ao público, havendo rumores que poderá abrir como um museu... Em seu redor, podem apreciar-se ruínas de outros edifícios bem abaixo do nível do solo.

Seguimos depois para o Museu Arqueológico. Apesar de ser um museu relativamente recente, a enorme riqueza do país fez com que as contribuições das diferentes regiões rapidamente transformassem este museu num dos mais importantes do mundo. Entre as suas mairoes atracções, contam-se o tratado de Cadés, uma placa de pedra onde está inscrito o tratado de paz mais antigo que se conhece, estabelecido entre os Hititas e os Egípcios em 1269 a.C., e os sarcófagos de Alexandre e o das Mulheres Enlutadas, mas a sua colecção é tão rica quanto vasta. Obrigatório!
Depois, seguimos para o bairro do Bazar, onde começámos pelo alto, visitando o edifício que domina o "skyline" da cidade, a mesquita de Suleymaniye. Mandada construir por Solimão, o Magnífico, data de 1557 e, sendo a mesquita mais importante da cidade, era o centro de um complexo de edifícios com missão de apoiar os mais desfavorecidos. O pátio interior é rodeado por colunas que se diz que vieram do camarote real do Hipódromo bizantino e, dentro do edifício, a enorme abóbada da cúpula domina todo o espaço.

Daqui, descemos por algumas vielas, vindo dar, quase por acaso, a uma mesquita fabulosa, a de Rustem Pasa, pequena mas muito tradicional e concorrida, com o seu interior profusamente decorado de azulejos Iznik.

Passando ao lado (uma vez que hoje estavam fechados) do bazar das especiarias e dos livros, chegámos à marginal da cidade, dominada pela mesquita Nova, que data do séc. XVII e que, apesar de ser mais recente, partilha com as outras muitos traços arquitectónicos.
Logo ao lado, situa-se Eminomu, o porto de onde os ferries partem para vários destinos, animado por vendedores de sandes de peixe. Deixámos o circuito do Bósforo para quando estiver sol e céu azul, e atravessámos pela ponte de Gálata (só por si uma atracção fervilhante de movimento e comércio) para o outro lado da cidade, o bairro de Beyoglu, situado numa íngreme colina, e durante muitos anos a morada de eleição dos visitantes estrangeiros da cidade. Durante o período otomano, Judeus, Árabes, Gregos e Arménios estabeleceram aqui comunidades e, ainda hoje, é uma zona conhecida como centro comercial e de animação da cidade.

Como a tarde já ia adiantada e começava a escurecer, decidimos subir apenas até à torre de Gálata para poder apreciar as vistas do seu cimo . No entanto, a fila bastante extensa e o preço um pouco proibitivo levaram-nos a optar pelo plano B. Assim, resolvemos pagar bastante menos por um lanche no terraço do hotel Anemon Gálata, onde descansámos e disfrutámos de uma vista fabulosa sobre o Corno de Ouro. O anoitecer deu-nos também oportunidade de tirar fotos fantásticas (modéstia à parte...).
Era tempo de regressar. Fizémos o percurso de volta sempre a pé e regressamos ao nosso hostel, onde por fim descansaríamos de um dia cheio, e onde teríamos de preparar as mochilas (e também psicologicamente!)  para partir na madrugada seguinte (às 5.00h!) para o aeroporto de Ataturk.

Tinha chegado a hora de voltar a casa... Mas não sem antes subir ao terraço do nosso hostel e disfrutar da sua localização fabulosa, e apreciar a mesquita Azul, de um lado, e a Haghia Sofia de outro, iluminando a noite de Istambul. Nada melhor para guardar de recordação desta cidade fantástica.

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