Istambul - A cidade onde oriente e ocidente se encontram.

Chegamos à estação de Istambul por volta das sete da manhã. Mas não havia tempo a perder...
Apanhámos um comboio urbano e andamos para trás na mesma linha por onde tínhamos chegado, pois a penúltima estação ficava pertíssimo do nosso hotel e, assim, não seria necessário gastar dinheiro num táxi. Assim o fizemos, e passado pouco tempo já estávamos a fazer o check-in no Med Cezir hotel. A sua localização é absolutamente fabulosa... Basta percorrer a pé umas dezenas de metros e estamos na Ayasofia Meydani, a praça entre a mesquita de Haghia Sofia e a Mesquita Azul. Foi pela primeira que começamos o nosso percurso pela capital turca. E não podia ser doutra maneira; esta mesquita é um dos grandes monumentos do mundo e, apesar de inúmeras alterações e restauros, mantém-se neste local há mais de 1400 anos!
Inaugurado pelo imperador Justiniano em 537, no auge do império bizantino, a construção do edifício original fazia parte de um plano para tornar Constantinopla uma digna sucessora de Roma como capital do império. Durante quase 1000 anos foi a cidade mais rica da Cristandade e no seu centro ficava a igreja de Santa Sofia.
Construída em torno de uma nave central, enormes colunas seguravam uma cúpula de 56m de altura. Mais tarde foram acrescentados contrafortes exteriores de modo a suportar o enorme peso da estrutura. Mas as maiores mudanças vieram após a queda de Constantinopla, em 1453, para os turcos otomanos. A igreja foi transformada em mesquita, e foram acrescentados ao longo dos anos minaretes, túmulos e fontes. Isto levou a que, actualmente, o edifício tenha uma silhueta muito peculiar, sendo que não parece uma igreja, mas também não parece uma mesquita típica.
No interior pouco resta do esplendor da decoração inicial, mas ainda se podem observar alguns frescos fabulosos no 1º andar, assim como nos pórticos de entrada e de saída. De resto, a imensa estrutura alberga uma estranha mistura de elementos ocidentais e árabes. O mihrab, a galeria do sultão e o minbar partilham o espaço com a praça da coroação, o local onde eram coroados os imperadores bizantinos e as grandes colunas são encimadas por medalhões com inscrições do Corão. Visitar este edifício é uma autêntica lição de história, inspirando-nos uma sensação de humildade. Só por isto, vale a pena vir a Istambul.
Mas há muito mais para ver nesta cidade milenária. Logo ao lado, podemos visitar a chamada Cisterna da Basílica, uma grande cisterna subterrânea, mandada construir também por Justiniano, para satisfazer as necessidades do Grande Palácio, um vasto complexo de palácios, igrejas e espaços de diversão, ocupando a quase totalidade do actual bairro de Sultanahmet.

O tecto é suportado 336 colunas, cada uma com mais de 8m, sendo ainda possível observar duas colunas que se apoiam em enormes cabeças de Medusa, um testemunho do saque dos Bizantinos a monumentos clássicos.
Em frente podemos visitar a enorme Mesquita Azul, assim chamada pelos azulejos azuis que decoram o seu interior, especialmente as cúpulas. Construída no séc. XVII, é um dos edifícios religiosos mais importantes do Mundo e, ao contrário de Haghia Sophia, continua a ser um local de culto em funcionamento. O que é mais difícil de escolher é o que é mais impressionante: o seu interior ricamente decorado ou o seu exterior, dominado por cúpulas e semi-cúpulas e um enorme pátio, tudo rodeado por seis minaretes.
Depois deste banho de cultura, estava na hora de um banho de multidão... Estava na hora das compras! Dirigimo-nos ao Grande Bazar e ao Bazar das Especiarias.

O primeiro, completamente coberto, é hoje mais dirigido para os turistas e chega a parecer um moderno shopping, com decoração árabe! Construído logo após a tomada da cidade no séc.XV, este labirinto de ruelas e lojas continua a ser um marco inevitável de uma visita e faz parte da experiência perdermo-nos no meio da confusão.

O segundo é mais tradicional, vendendo todo o tipo de especiarias, ervas aromáticas e outros produtos como mel e frutos secos.
Era já o fim da tarde, e decidimos regressar ao hotel para descansar um pouco. Afinal de contas, era dia 31 de Janeiro e teríamos de festejar mais tarde a entrada do Ano Novo!

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