Cruzando as grutas de Tam Coc

É bom ver o sorriso genuíno da população e a pequena povoação de Ninh Binh, a sul de Hanoi, é o local ideal para este encontro. A apenas três horas de viagem, esta área rural é completamente distinta das cidades vietnamitas. No entanto, a povoação em si não merece mais do que alguns minutos já que são as imediações, dominadas por um relevo cársico, que atraem os olhares atentos dos visitantes.


Próximo da cidade encontra-se a capital imperial de Hoa Lu, fundada pela dinastia Dinh. Grande parte dos majestosos edíficios da cidade foram destruídos, no entanto, há alguns locais que foram recuperados e que permitem sentir a grandeza que este local outrora teve.


Os edíficios não são ricamente decorados nem sequer tão majestosos como os templos que abundam um pouco pelo sudeste asiático. No entanto, neste pequeno local, a vida parece ter um ritmo diferente.


Há búfalos de água acompanhados pelos velhos agricultores, há anciãs de diversas minorias étnicas e frutos estranhos nas bancas de acesso ao sítio histórico. Se a visita aos edíficios não me preencheu as expectativas, o caminho que efectuei para os alcançar, superou-as.


No entanto, é em Tam Coc que se vê a particularidade da paisagem. Tam Coc significa "três cavernas" e a sua maior atracção é cruzar de barco o rio Ngo Dong e três grutas que são atravessadas pelo rio. Há quem lhe chame a "Halong bay terrestre", embora as diferenças sejam evidentes. No entanto, também aqui há pináculos calcários espalhados pela paisagem que são serpenteados pelo rio. As águas das inundações frequentes permitem o cultivo do arroz e estes campos verdes espanham-se ao longo do rio e circundam os pináculos. Parece um cenário idílico.



A melhor maneira de apreciar este local é apanhar um barco no porto fluvial de Van Lam e durante duas ou três horas percorrer o rio. Os barqueiros, na sua maioria mulheres, são exímios na arte de bem remar. Passam horas nos botes e já desenvolveram técnicas para remar com sucesso com os pés.


As grutas são bastante belas e para as atravessar temos de nos baixar e evitar chocar com as estalactites que "caem" de cima. Uma das grutas mede 125 m e é incrível ver aparecer a luz no fundo.


Quando regressei ao porto fluvial o sol mostrou os seus raios e a paisagem exibiu-se em todo o seu esplendor. Foi uma bonita forma de me despedir deste mar de arrozais que acolhem os soberbos afloramentos cársicos.   

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