Relaxando em Bariloche (ou não)! - uma aventura entre Bariloche, Mendoza, Néuquen e Puerto Madryn

Decidi voltar a Bariloche para relaxar uns dias num dos hostels com melhor vista da Argentina. Aproveitei, num dos dias, para visitar o Cerro Campanário e fazer o circuito Chico, algo que não tive tempo de fazer da primeira vez que aqui estive.

No segundo dia, fui aos correios saber o que se tinha passado com a encomenda que despachei de Mendoza. Descobri que foi devolvida para Mendoza. Fiquei petrificada. Teria que a ir buscar. O problema é que estou a 1300km de distância. Não havia solução, teria que ir. Tratei de comprar bilhete de autocarro para o dia seguinte. O que seriam dias de relaxe passaram a dias de stress.

Saí de Bariloche para uma viagem de 23h de autocarro e chegar a Mendoza às 9.30h da manhã. Daí fui ao posto dos correios, recolhi a muito custo (até porque tive que voltar a pagar) a minha encomenda. Agora havia que colocar tudo dentro das mochilas já feitas. Tarefa dificil mas não impossivel. A minha mochila grande deve pesar agora 30kg. Quando a ponho nas costas até balanço para trás. Estas mochilas vão acabar comigo!!! Passei a tarde em Mendoza à espera do autocarro das 19h que me levou para Néuquen, onde deveria retomar o meu percurso. Mais uma noite a dormir no autocarro.

Quando cheguei a Néuquen fui para um hostel, deixei lá as coisas e voltei ao terminal para apanhar um colectivo para Plaza Huimil, onde está em exposição o maior esqueleto de dinossauro encontrado no mundo. Pelo caminho, e a poucos quilómetros da cidade de Néuquen, ouvi o motorista a dizer ao auxiliar que a rua ia ser cortada da parte da tarde e que os serviços iriam ser suspensos. Petrifiquei. Dois dos acessos a Néuquen já estavam cortados e se cortassem o terceiro não era possivel voltar. Eu tinha as minhas mochilas no hostel. Tinha que pensar depressa. Falei com o motorista. Ele aconselhou-me a voltar para Néuquen e tentar sair da cidade pelo lado do Atlântico. Foi isso que fiz. O autocarro parou numa estrada e eu saí. Não sabia onde estava. Só sabia que tinha de ir para Néuquen. Caminhei um bocado e encontrei um táxi que me levou de volta. No terminal comprei um bilhete de autocarro para Puerto Madryn. Fui buscar as mochilas ao hostel. "Desculpe mas afinal já não vou ficar!", é preciso ter lata, devem ter pensado. Tenho que esperar desde as 11h até às 21h no terminal para sair. Mais uma viagem de autocarro. Será a terceira noite a dormir sentada. Estou cansada, suja, cheiro mal, dói-me as costas. Preciso de um banho, uma cama, uma escova dos dentes... Não vejo a hora de retomar o meu percurso. Para trás deixei os parques paleontológicos que tanto queria visitar. Estou desfeita. Vou voltar aqui. Não sei quando. Mas vou voltar aqui. Não gosto nada quando isto me acontece.

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