Puerto Madryn - Um observatório da vida animal

Estou em Puerto Madryn, um dos melhores lugares do mundo para observação da vida selvagem. O ambiente costeiro da cidade, no extremo do golfo Nuevo, permite a entrada de baleias no inverno austral. A baleia franca austral escolhe este golfo para acasalar e dar à luz. Existem 11 espécies de baleias francas austrais, Eubalaena australis , que vivem no hemisfério sul. Migram para latitudes mais elevadas no verão e regressam, em número cada vez maior, no inverno ao Golfo Nueno. No último ano, em Outubro, foram inventariadas 1442 baleias no golfo.
Quando cheguei a Puerto Madryn decidi que ia fazer do avistamento das baleias a minha prioridade. Assim, aluguei uma bicicleta e decidi percorrer o que pensei que fossem 32 km entre Puerto Madryn e El Doradillo, um local de eleição para o acasalamento destes mamíferos. Para lá a viagem faz-se bem, mas descobri que não eram 16km mas 25, o que significaria... 50km! Quando cheguei à praia e me entretinha a tirar fotografias com a bicicleta (porque ainda faltava uma hora para a maré alta) vi duas baleias no horizonte. Fiquei siderada. Que magnífico. A água a jorrar do mar com o seu respirar, o corpo ondulado a sair para fora. Peguei na bicicleta e dirigi-me ao mirador Punta Flecha. Aí, passei mais de uma hora à espera de uma nova baleia. Aparece uma ao fundo. Está junto à praia, na Pardela. Pego na bicicleta e desço pela estrada até à praia onde a tinha avistado. Quando lá chego já tinha passado. Ainda vejo a suas barbatanas e a cauda toda de fora. UAUUUU!!! Não posso acreditar que me escapou. Pego novamente na bicicleta, desta vez à mão e ao ombro, e subo a falésia. Estou de rastos. Quando chego ao cimo a baleia também já tinha passado. Fico frustrada. Decido não sair mais do mirador até aparecer nova baleia. Espero quase duas horas. Volto a ver uma baleia na mesma praia. Pego na bicicleta e desço. Desta vez pelo meio da vegetação junto à praia. Alcanço-a mesmo a 10-15 metros de mim. Estou fascinada por este animais. Depois de a ver passar bem na frente dos meus olhos pego na bicicleta e volto a pedalar até ao mirador. Esta baleia é mais lenta e consigo chegar primeiro do que ela e voltar a vê-la passar.
Estou há demasiado tempo no El Doradillo. Tenho que voltar a Puerto Madryn. Entretanto, levantou-se imenso vento e a bicicleta parece não mover-se. Quando páro de pedalar, nas descidas, a bicicleta pára tal a força do vento. Ainda faço vários quilómetros, ora com a bicicleta a mão, ora sentada. Quando estava a 10km de Puerto Madryn consigo boleia de dois marinheiros. Colocam a bicicleta na mala do carro e levam-me até a cidade. Estava morta e esta boleia foi essencial. Cheguei ao hostel completamente arrasada mas satisfeita. O dia de hoje foi fenomenal... mas quero mais. Tenho que voltar ao Doradillo para ver as baleias.

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