U2 no Estádio Nacional do Santiago - Uma prisão durante a ditadura de Pinochet

A minha visita a Santiago do Chile, três anos depois do périplo pela América do Sul, tinha um objectivo subjacente: assistir ao concerto dos Muse e dos U2, no Estádio Nacional de Santiago. Sabia que os U2 iam actuar em Buenos Aires, inclusive 3 concertos, mas há muito que os bilhetes estavam esgotados. Por coincidência, em Mendoza, conheci dois chilenos com os quais mantive contacto através do facebook. Um deles, o magnífico Juan Pablo, não só me comprou o bilhete para o concerto três semanas antes, como me alojou na casa da sua familía no dia antes do concerto. Sendo assim, quando rumei a Viña del Mar, local onde mora o Juan Pablo, para além de querer conhecer esta estância balnear, o interesse era outro. A sua família recebeu-me super bem e quando saí de Viña, no dia seguinte, rumei a Santiago para mais uma aventura. Poderia escrever dezenas de linhas sobre o concerto dos U2 e dos Muse, mas tudo se resume a dois adjectivos que se usam muito pela América do Sul: buenísimo e bárbaro!

O Estádio Nacional já serviu de palco para inúmeros concertos mas o que poucos sabem, e os chilenos tentam esquecer, é que foi o palco de mais um episódio sangrento da ditadura de Pinochet. No ano de 1973, o estádio foi usado como campo de prisioneiros do regime de Augusto Pinochet. Os prisioneiros que para aqui vinham eram separados por sexo, aprisionados em camarotes e sujeitos a interrogatórios. Terão passado certa de 40.000 prisioneiros pelo estádio, de onde eram enviados para o Campo de Prisioneiros de Chacabuco, a 110 km de Antofagasta. A maioria deles, acabou por perder a vida. Hoje, assisti ao concerto dos U2 neste palco, mas não consegui esquecer as atrocidades que aqui foram cometidas. Os chilenos também não esquecem. O excelente documentário "Estádio Nacional" retrata muito bem esse episódio da ditadura.

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