Cabo Polónio - Uma cabana no "fim do mundo"

"Atención, usted está por entrar al paraíso. Cuidado. Puede enamorarse del lugar con facilidad." Isto podia perfeitamente estar escrito numa placa à entrada do Cabo Polónio.
Dunas de areia dourada, leões marinhos espreguiçados nas rochas, cabanas com camas de rede em frente ao mar, praias de areia fina, banhos no mar com temperatura amena, baleias ao largo... É num lugar assim que sonho repousar os últimos dias da minha vida.
Sigo pelas dunas do Cabo Polónio sentada no tejadilho de um camião. A estrutura onde estou sentada abana com o terreno incerto de areia. É a única maneira de se chegar ao Cabo, o local mais inóspito do Uruguai. Os autocarros param na estrada nº10 e aí é necessário apanhar um camião 4x4 que durante 15 minutos atravessa as dunas e percorre a praia até chegar a Cabo Polónio. A electricidade ainda não chegou aqui e a água canalizada também não existe.
Salto do camião, pego na minha mochila e procuro uma cabana para passar a noite. Por 300 pesos uruguaios fico alojada numa cabana (Hostal del Cabo) mesmo virada para o mar. Terei encontrado o paraíso por apenas 15USD por noite?
Cabo Polónio é dono de uma beleza selvagem. As rochas graníticas formam uma reentrância da terra no Atlântico e permitem a existência de vários ilhéus em frente ao cabo. Estes, albergam a segunda maior colónia de leões marinhos do Uruguai.
Percorro a costa rochosa na esperança de me encontrar frente-a-frente com um deles, ou então... melhor ainda, um grupo. Mas, nesta aldeia de pescadores, é mesmo com um pescador que me encontro. Conta-me que os leões marinhos só permanecem na costa na altura de se reproduzirem, em Setembro e Outubro. Nesta altura, cada um ocupa o seu lugar e ali permanecem até a fêmea parir.
No entanto, as ilhas em frente estão cheias deles e ouve-se constantemente o seu grunhir. Este som dos leões marinhos, com as ondas em som de fundo, é fantástico. O cheiro da maresia, das conchas, dos mexilhões e das algas marinhas... isto é o Cabo Polónio.
Atrás de mim ergue-se o farol. Do seu topo posso contemplar a vastidão da paisagem. Vejo as dunas de areia que se estendem para norte até Barra de Valizas. Os ilhéus rochosos exibem as suas colónias de leões marinhos e, daqui de cima, consigo ver 3 ou 4 deitados nas rochas da linha de costeira. São enormes, mas muito pouco energéticos. Raramente se levantam ou erguem a cabeça para olhar o mar. Até para nadar, o fazem de forma lenta. Passo horas sentada nas rochas a observar os leões marinhos. Dizem que também se avistam baleias mas eu não tive sorte.
A povoação do Cabo é muito harmoniosa. Pequenas casas espaçadas aparecem no istmo e entre as dunas. É um lugar mágico. Recorda-me o livro de Michael Cunninghon "Uma casa no fim do mundo". Poderia perfeitamente ser aqui.
Ao final da tarde dou um passeio pelas enormes dunas de areia que terminam junto ao mar. Estou rendida à beleza do Cabo.
Adormeço com o barulho das ondas e da areia transportada pelo vento a bater na janela da cabana.
No dia seguinte, tomo o pequeno-almoço sentada no alpendre e contemplo o nascer do sol. Tudo parece perfeito mas a minha viagem tem que prosseguir.
No tejadilho do camião 4x4 olho para trás e vejo os primeiros raios do sol a furarem as nuvens e a iluminarem o Cabo. Há poucos lugares no mundo onde tive esta sensação; sinto que um dia vou voltar ao Cabo.

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