Ascensão ao vulcão Villarrica

O vulcão Villarica é um dos vulcões mais activos do Chile e situa-se a poucos quilómetros da cidade de Pucon. Da mesma forma que faz com que a cidade tenha um elevado risco natural, atrai imensos turistas e viajantes aventureiros, que vêem aqui uma oportunidade de ascender ao seu cume. A ascensão não tem dificuldade técnica, requerendo apenas que os aventureiros apresentem boa preparação física para 4 a 5 horas de progressão sobre o glaciar e rios de lava solidificados. São inúmeras as empresas que vendem pacotes turisticos para ascender o vulcão, já que a subida independente não é permitida. Sendo assim, todos os dias rumam à montanha dezenas de aventureiros procurando fazer cume. Como a subida ao vulcão é relativamente acessível, esta actividade é cada vez mais procurada, e Pucon vê o número de estrangeiros aumentar de dia para dia. No entanto, metade dos aventureiros ficam pelo caminho e alcançam apenas aquilo que os guias chamam um falso cume, uma área de lava solidificada sobre o glaciar, que se formou durante a última erupção vulcânica. A subida não deixa de ser extenuante, com uma pendente de 45º praticamente durante todo o caminho. Mas a principal razão das desistências, e da dificuldade em chegar ao cume, prende-se com o facto do vulcão lançar constantemente para a atmosfera gases sulfurosos, dióxido de enxofre e cinzas, tornando a respiração próximo do cume praticamente impossível. Os portadores de doenças respiratórias são aconselhados a ficar no falso cume, assim como todos aqueles que não se sintam fisicamente bem. O grupo que integrei era constituído unicamente por mulheres: 8 israelitas e 1 portuguesa. Os guias estavam pouco confiantes na subida, já que o machismo chileno atinge neste país o "máximo" na América Latina! No entanto, acabamos por chegar ao topo. Não todas, mas quatro israelitas e uma portuguesa. Sendo assim, posso constatar que a taxa de sucesso para Israel foi de 50%, e para Portugal 100%! Os guias estavam satisfeitos. Já há 3 dias que não conseguiam levar ninguém ao cume. Vai-se lá saber porquê??? Se calhar eram todos homens!!!
No cume, respirar é praticamente impossível e só se pode permanecer lá alguns minutos. No entanto, a paisagem é avassaladora e não dá vontade de descer. Mas eu sabia que a subida era só metade do caminho. Era necessário descer. Graças à inclinação das vertentes viemos de "sku" o percurso quase todo. Para além de manter a adrenalina no "red line", congelou-me tudo o que trazia na mochila, inclusive o casaco de penas. Uma vez na base do vulcão felicita-mo-nos mutuamente, eu, as raparigas israelitas e os guias: Alexandro, Richard e Mickel, da Pucon Tours. Foi mais uma aventura bem sucedida.

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