Viljiandi - Experimentando a verdadeira hospitalidade estónia.

O autocarro percorre as estradas geladas do interior da Estónia. Por pouco mais do que 6€ compramos o bilhete na estação e rumamos em direcção a Viljandi, “one of the most lovely cities of Estonia”, segundo o guia da Lonely Planet. As casas estão cobertas de neve e as pessoas limpam pequenos trilhos à sua frente. Fazemos a estrada que liga Tallinn a Viljandi já de noite e quando chegamos ao nosso destino eram 19.30h. A família CouchSurfing que nos vai acolher veio buscar-nos à estação. Loone, de 18 anos, é a nossa anfitriã e vive com a sua família. A mãe é sacerdote numa igreja Luterana e o pai o contabilista da igreja. Têm dois filhos, Loone, a nossa anfitriã, e um rapaz mais novo. Quando chegamos a casa receberam-nos com um chá natalício bem quente e uns petiscos tardios. Passamos a noite sentados a conversar e a conhecermo-nos. Lá fora nevava intensamente e o frio apertava. Dentro da casa, estava quentinho e as conversas fluíam. No dia seguinte depois de um pequeno-almoço com “porridge”, uma mistura de cereais típica da Estónia, e do tradicional pão, queijos, enchidos e doces, saímos para explorar a cidade. Loone foi incansável e andou a manhã toda a mostrar-nos as atracções da cidade. Começamos por visitar uma parte nova da cidade e depois dirigimo-nos para o Parque do Castelo, onde hoje existem apenas as ruínas do que foi o castelo de Viljandi. Pelo caminho, vimos as igrejas vermelha e branca, que devem o seu nome à sua cor. As ruas estão cheias de neve e os trilhos limpos são muito poucos. É muito mais difícil caminhar porque enterramo-nos na neve. Loone parece não ter o mesmo problema que nós! Estranho… não, prática. O acesso às ruínas é feito por uma ponte suspensa. As ruínas estão completamente cobertas de neve e temos que fazer um grande exercício mental para tentar descobri-las e imaginar como terá sido esta área nos tempos áureos do castelo. O lago que se vê em frente está completamente gelado. Esta área do país é muito típica. A maioria das casas são construídas em madeira e nesta época do ano ostentam uma beleza ainda maior. Na praça central, a torre da água domina a paisagem. Para terminar a manhã, visitamos o centro de arte naif com várias exposições de diversos artistas da zona. O quadro mais famoso é o “Comedores de Morangos”. Numa das salas estavam expostas obras pintadas por reclusos com perturbações psíquicas. Estranhamente pintavam temas idílicos e coloridos como por exemplo flores e pássaros. Visitamos também uma exposição realizada por escultores cegos. A sala estava totalmente escura e nós tínhamos que “ver” as obras utilizando o tacto. Foi uma experiência muito interessante.
À hora do almoço, Viroo, o patriarca da família, convidou-nos para almoçar num café local. Experimentamos a gastronomia local no Café Viljandi e da parte da tarde exploramos a zona dos lagos e a arquitectura de madeira nos becos e vielas da cidade. Quando a noite começou a cair, por volta das 15.30h, recolhemos ao aconchego da casa dos nossos anfitriões. Passamos o final da tarde a conversar, ver tv e na internet. À noite, com a Loone, jogamos um jogo de tabuleiro magnífico. Era sobre locais do mundo e o objectivo era descobrir os diferentes locais que apareciam nas fotografias até conseguir completar o mapa mundo. Escusado será dizer que eu ganhei… a milhas dos adversários! E desta forma magnífica terminou o dia. Na manhã seguinte, levantamo-nos bem cedo porque tínhamos autocarro às 8.15h para Parnu. A família Vilumma também se levantou. Prepararam-nos o pequeno-almoço e o Viroo levou-nos ao autocarro. Em Parnu, só tivemos tempo para visitar uma igreja porque o nosso objectivo era apanhar o bus para Riga. Hoje é dia 31 de Dezembro e vamos sair da Estónia a caminho da Letónia. Será aí que vamos passar a passagem de ano. Curiosamente abandonamos a Estónia no último dia em que está em uso a coroa estónia. Amanhã o euro entra em circulação. A Estónia será o 13º país a aderir a Zona Euro da União europeia.

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