sexta-feira, 30 de abril de 2010

Curso de Alpinismo I


 
No passado mês de Abril resolvemos tirar um curso de alpinismo. O que nos motivou? Realmente as razões foram várias. Em primeiro lugar está a atracção que a montanha exerce sobre nós. É uma realidade inegável que sempre que empreendemos as nossas viagens elas acabam por ter percursos em montanha e nalguns casos actividades de alpinismo e tentativa de fazer cume, tal como aconteceu no Cotopaxi e no Toubkal.

Apesar de até agora todas as nossas actividades de alpinismo terem corrido muito bem, quer porque fizemos sempre cume, quer porque subimos e descemos sem qualquer tipo de problema, a verdade é que sempre dependemos de outros. Se no Cotopaxi, no Equador, o guia que nos acompanhou era fantástico e praticamente nos deu um curso de alpinismo in loco, no Toubkal, as coisas foram diferentes. O guia que nos acompanhou em Marrocos era muito fraco e não percebia nada de montanha já que nem sabia colocar os crampons. Sendo assim, e para que não nos voltasse a acontecer o mesmo, decidimos tirar este curso. Quando se anda em Alta Montanha não devemos deixar a nossa vida nas mãos dos outros.

O curso foi mais duro em termos físicos do que estávamos à espera, o que nos levou a concluir que até aqui tínhamos subestimado a preparação física que necessitamos para andar em Alta Montanha. A aproximação de cerca de duas horas, todos os dias, até aos colos para depois ascendermos ao cume das montanhas da Penã Ubina, deixava-nos já sem fôlego. Dos colos ao cume, o percurso levava-nos por arestas de rocha, cornijas, lanços mais ou menos perigosos onde aprendemos a progredir utilizando as ancoragens naturais e as ancoragens no gelo. Porque o alpinismo é uma actividade desportiva de risco, começamos por aprender a cair e a fazer auto-resgate e protecção. Essas técnicas são essenciais, quer para nos dar segurança no terreno, quer para em caso de acidente estarmos preparados para responder.

A progressão em Alta Montanha é extremamente gratificante já que nos acompanham paisagens belíssimas e quase exclusivas. Fora dos percursos turísticos atravessam-se nevados e vales glaciares rodeados por paredes rochosas, circos glaciares e horns. A ascensão ao cume segue frequentemente os corredores de neve, locais mais fáceis de progredir mas onde a atenção tem que ser acrescida já que são locais preferenciais para a ocorrência de avalanches. Sempre que parávamos e olhava à minha volta deliciava-me com a morfologia. A paisagem da Alta Montanha é fenomenal.


Ao final da tarde, quando regressávamos ao refúgio, havia tempo para convívio, brincadeiras, conversas (mais ou menos sérias), dormir, comer ou simplesmente descansar. No outro dia, seguia-se um novo cume. Começamos por subir, pela aresta sul, à Peña Ubina. Esta foi a nossa primeira actividade. No segundo dia, subimos aos Los Fontanos e no terceiro dia à Ubina Pequena. Todas estas montanhas tinham características de progressão diferentes e penso que esse era o objectivo – tornar-nos aptos para progredirmos em diferentes tipos de terreno. Se na primeira ascensão contamos com a presença de nevoeiro que não nos deixou ver as vertentes vertiginosas da aresta sul, nos outros dias fomos agraciados pelo sol e óptima visibilidade.


Embarcamos nesta aventura com os Espaços Naturais, uma empresa do Porto, e não nos arrependemos em qualquer momento. O curso foi altamente intenso, tal como se pretende, e desenvolvido com grande profissionalismo e camaradagem. No nosso grupo contávamos com vários amigos. Conhecemos muitas pessoas novas mas entre todos havia um denominador comum: o gosto pela montanha. Um curso decisivo e fulcral para quem gosta de estar em segurança na montanha e quer ir mais longe… quem sabe aos verdadeiros ambientes glaciares!

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Shopholics em Marrocos


Marrocos pode ser um paraíso para todos aqueles (que como eu) são viciados em compras. Apesar deste meu vício, que se restringe a artigos étnicos, consegui controlar-me já que Marrocos, em termos de preços, já não é o paraíso que foi em tempos.
Há muito por onde "perder a cabeça" e alguns preços podem ser tentadores, no entanto, também há muitas coisas que é impossível um mochileiro trazer, pelo que metade do problema está resolvido.
Para quem gosta de "bujigangas", Marrocos tem para todos os gostos, embora regatear seja SEMPRE palavra de ordem. As peles, nomeadamente nas carteiras ou nas belíssimas sandálias, são um dos ex-líbris deste país e Fez tem uma oferta fantástica de lojas e artigos. Nesta cidade, os artífices de rua lembram que também os artigos em metal são típicos desta área. Claro que não resisti e tive que trazer sandálias e até um bule (lindo) com tabuleiro para fazer chá marroquino! O kit não ficaria completo sem os copos do chá, gorgeous, que trouxe de Marrakech!
Um pouco por todo o país somos "assaltados" por vendedores que nos tentar convencer das vantagens e importância da posse de algum dos seus produtos. É stressante, mas ao mesmo tempo, culturalmente desafiador.
Apesar dos famosos vendedores de tapetes, não tivemos nenhuma experiência com algum ou sequer fomos por eles interpelados. Devem ter olhado para nós e pensado... "não, estes não têm cara de quem vão levar tapetes nas mochilas"! Fomos sim, bombardeados por vendedores de fosséis e minerais (também decorrente das áreas que percorremos). Caímos nalgumas tentações, embora sempre controladas, já que convém estar bem atento. Grande parte dos fósseis que se vendem por estas bandas são falsos e são feitos de forma industrial.
Por terras marroquinas as compras são inevitáveis, até porque continuam a haver bons artigos e bons preços, no entanto, é necessário estar bem atento, regatear e acima de tudo DIVERTIR-SE!

De Riad em Riad!!

Riad... mas que raio é uma riad? Isto foi o que me questionei quando comecei à procura de alojamento para ficar em Marrocos. Grande parte dos lugares publicitavam-se como sendo autênticas riads. Lá pesquisei e descobri que uma riad é uma casa típica marroquina com um jardim e pátio interior. Gostei do que li. Resolvemos, assim, experimentar ficar alojados em várias riads.
A nossa primeira, em Fez, era propriedade do Steve, um inglês muito simpático que trocou o luxo da vida londrina pela adrenalina marroquina. O Steve adquiriu uma riad no seio da medina de Fez e converteu-a numa casa de hóspedes, a Dar Houdou Guesthouse. A casa só tem 3 quartos e por isso o atendimento é altamente personalizado. Quando chegamos a Fez já era noite e o Steve mandou buscar-nos à estação de comboio e esperou por nós. Este lugar parece um sonho. O nosso quartinho é um luxo! Azulejos típicos de Marrocos (padrão igual aos da Merdesa El-Altarine), uma cama MUITO melhor do que a que temos em casa(!) e uma janela ornamentada com estruturas em ferro voltada para um pátio interior onde existe uma pequena fonte. O nosso quarto é no primeiro andar da riad, mas no terceiro temos um pátio no telhado onde podemos ver os minaretes das mesquitas que nos rodeiam. O lugar é perfeito (embora um pouco caro para o nosso budget) e compensou cada centavo que pagamos. Ao pequeno-almoço Mohamed, o empregado (que era um "pão"- daí o pão ser sagrado em Marrocos), serviu-nos uma refeição de "bradar aos céus": melôa alaranjada, pão marroquino, cacetes, chá marroquino, queijos, manteigas, compotas, bolinhos marroquinos, leite, café e um sumo de laranja natural inigualável. Estavamos no paraíso? Parece que sim...
Embora só tivessemos estado em Fez duas noites, tanto o Steve como o Mohamed, fizeram-nos sentir em casa e trataram-nos tão bem que não tinhamos vontade nenhuma de ir embora. Foi, concerteza, uma óptima experiência e um dos melhores lugares onde ficamos até hoje.

Se a nossa primeira experiência tinha corrido bem... o que dizer da segunda? Em Meknes, alojamo-nos na Riad Zahraa e descobrimos que uma riad pode ser mais do que uma casa típica de Marrocos! O termo riad também é aplicado a palácios que são utilizados como residência. E era, a Riad Zahraa era um palácio convertido em alojamento turístico. Uma espécie de de unidade de turismo de habitação no meio da medina de Meknes. O nosso quarto situava-se no rés-de-chão e tinha uma porta dupla que abria directamente para o pátio e jardim interior. Um quarto que parecia saído do filme Sherazade... um sonho das mil e uma noites! Todo o pátio era rodeado por uma espécie de casúlos ornamentados ao bom estilo árabe e bem decorados onde existem mesas e sofás. Estas mini-salas são os locais onde tomamos mais um delicioso pequeno-almoço com pão marroquino e regado com o magnífico sumo de laranja. Também aqui temos um pátio no terraço e, mais uma vez uma vista privilegiada. Embora o dono (ou empregado não ficamos a saber) seja um bocado "melga", as senhoras eram muito simpáticas e o lugar encantador.

Já em Marrakech nova riad - a Douarskoll Guesthouse. Aqui, no seio da medina, encostados à mesquita Mousaline (comprova-se que as chamadas para as orações nocturnas não são um mito urbano) estavamos numa casa mais modesta mas autêntica, com paredes caiadas de branco tosco e um conjunto de quartos que rodeiam o pátio interior. Desta vez não há rendilhados, nem ornamentos e azulejos, mas o nosso quarto dispõe de uma salinha e uma casa de banho. Parece uma habitação bérbere. Mais uma vez um terraço... com uma vista sobre os telhados da medina de Marrakech.

Entre a nossa primeira riad em Marrakech e a segunda fizemos uma viagem pelo sul de Marrocos. Como essa viagem era organizada alojamo-nos nos hotéis escolhidos pela agência. Não eram maus, alguns até tinham uma piscina no meio do deserto, como o de Zagora (La Palmerie), ou uma paisagem claustrofóbica no interior da garganta do Dadés. Mas, nenhum hotel superou aquela tenda magnífica onde dormimos no Erg Chebbi, no deserto do Sahara, com o vento a entrar pela porta e a areia a embater nas lonas. Mais uma vez, o paraíso. Que sensação maravilhosa a de dormir no deserto! Sem cama (coisa que já estamos habituados), sem paredes, sem porta mas com muito carácter e muita sensualidade, a vida no deserto é encantadora.

Quando chegamos desta aventura esperava-nos a última riad, a Riad Marrakech Rouge. Como o próprio nome indica, uma riad com paredes vermelhas, um ambiente muito zen e um quarto voltado para o pátio interior. Desta vez não tivemos grande sorte com a cama (não se pode ter tudo) mas o local era bonito e bastante popular entre os backpackers. A Francesca, a dona, era muito simpática e estava sempre disponível para ajudar.
De riad em riad fomos aprendendo e percebendo um bocadinho mais sobre a cultura deste país. Fomos conhecendo diferentes influências e percebendo a importância do convívio social para este povo que centra no seio da sua habitação um pátio onde "confraternização" é a palavra de ordem.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

FNAC marroquina...

Foi com bastante curiosidade que embarquei, juntamente com a Carla, nesta pequena grande aventura por terras marroquinas. Isto porque tenho um grande interesse pela cultura islâmica, nas suas diferentes manifestações, quer sejam estritamente do foro religioso, quer as sociais, culturais e artísticas. Ao longo deste blog, a Carla já foi discorrendo, e muito bem, sobre as diferentes características desta cultura. Por mim, quero aqui apenas reflectir um pouco sobre o aparente conflito de civilizações que se continua a desenrolar neste séc. XXI, entre o que podemos chamar a civilização ocidental, de raiz cristã, e a civilização árabe, de raiz islâmica.
Aquando da nossa viagem pela Índia, terra de todas as culturas religiosas, visitámos a província de Jammu e Caxemira, onde estivemos em várias cidades de população predominantemente muçulmana, nomeadamente Shrinagar, estabelecendo o nosso primeiro contacto com a cultura islâmica. Na China, também tivemos um contacto breve com a esta cultura em Xi’An. No entanto, nunca tínhamos estado, até agora, num país oficialmente islâmico. Foi com esse desejo, até para servir como «treino» para a viagem de Verão por terras do Médio Oriente, que decidimos visitar Marrocos.

Admito que parti do Porto com alguns preconceitos…Não sei se lhes devo chamar assim. São mais sentimentos baseados nos meus gostos pessoais. Por exemplo, uma coisa que me custa suportar é o espírito mercantilista que domina esta cultura. As cidades são basicamente mercados gigantes, em que praticamente tudo é fabricado e comercializado nas ruas. Artesãos fabricam nas traseiras das casas o que é vendido à porta dessas mesmas casas. Muito barulho, muita confusão, muitas pessoas… Tudo coisas que me custa suportar.
Só uma coisa faz parar o acto comercial. O momento da oração. Em Marrocos, desde as ruas desertas da Medina de Fez à Sexta à tarde, passando pelos populares ajoelhados à porta de uma mesquita na caótica praça Jamah El-Fna em Marraquexe, não faltaram testemunhos da dedicação a Alá deste povo.

Outro aspecto que me é particularmente caro é a questão do conhecimento. Em Marrocos pude constatar, admito que com um certo espanto, que não há qualquer produção literária que não seja religiosa. Filosofia, política, geografia, história, matemática, física… NADA! As poucas livrarias que vi em toda a viagem só tinham livros religiosos, pelo menos era o que aparentavam ser, pois não sei ler árabe. Livros escritos numa outra língua, nem pensar! A única livraria com livros fora deste padrão que consegui encontrar foi a auto-denominada (e bem!) “primeira livraria de Marraquexe”, a FNAQUE! Um nicho minúsculo, perdido no meio de um souq caótico, com meia dúzia de livros de carácter turístico, escritos em inglês. Foi o primeiro país que visitei em que senti a completa falta de divulgação de conhecimento. Quando regressámos a casa, fizemos escala em Madrid. Entre voos, ainda tivemos tempo de dar um salto à cidade, onde passei pelas livrarias “El Corte Ingles”, “Casa del Libro” e “Fnac”, onde estavam espalhados cartazes alusivos ao dia 23 de Abril, dia mundial do livro, quando algumas livrarias da cidade permaneceriam abertas toda a noite, com preços com desconto. Que contraste!
Porquê culturas aparentemente tão distintas? Porque somos tão diferentes? Seremos nós civilizados e eles bárbaros? Pensemos um pouco… O que sempre distinguiu os povos «civilizados» dos «bárbaros»? Evolução! Através do contacto, as diferenças esbatem-se, e quando a evolução de uns coincide com a regressão de outros, pode até ser que a barbárie conquiste a civilização.
Mas evolução em direcção a quê? Existe um fim natural e lógico para a evolução civilizacional? Não me atrevo a arriscar uma resposta. Mas podemos aplicar esta ideia a este conflito tão actual.
Sociedade civil completamente dominada pelos mercadores. Fervor religioso generalizado. Conhecimento confinado ao clero. Parece algo familiar?... Não, não tem de ser um país islâmico. É a Europa há 500 anos!
O Islão é 700 anos mais novo do que o Cristianismo. Imaginem-se na Europa há 700 anos. Não são os inquisidores, ordens religiosas e mosteiros de então, os mullahs e as madrassas de agora? Como será o Islão daqui a 700 anos? Como estarão os países do Médio Oriente em 2700 d.C.?
Chegará o dia em que as trocas comerciais nestes países serão feitas unicamente em centros comerciais e hipermercados, ordeiramente, longe da vista (e do coração)?
Chegará o dia em que todos os campos do saber se desenvolverão, com liberdade de expressão, libertos da tutela da igreja?
Chegará o dia em que a igreja se restringirá a um papel meramente dedicado ao ritual e crença e não interferirá (significativamente) nos assuntos dos Estados?
Sinceramente, não sei. Mas sei que esta diversidade civilizacional, apesar de causa de conflitos, é também a razão de termos um Mundo colorido e fascinante de se conhecer. Se um dia formos todos iguais e (admitamos) «civilizados», tenho a certeza que o Planeta será muito mais cinzento e que será muito menos interessante viajar e fazer blogs sobre o que se vê nessas viagens.

sábado, 17 de abril de 2010

Portas... há muitas!


Quando se percorrem as ruas das povoações marroquinas há algo incontornável - as portas. Cada porta que encaro parece uma obra de arte e à medida que a minha estada se prolonga reparo que uma das belezas deste país está na sua magnífica arquitectura.
A arquitectura urbana de Marrocos pode-nos fazer perder por completo a noção do tempo. Desde mesquitas com mais de 1000 anos, como a de Karaouiyine, em Fez, até aos edificios mais modernos nas estações de comboio, Marrocos conserva o seu estilo árabe nas edificações.
Mesquita Karaoiyine - Fez

A arquitectura árabe inclui um conjunto de estilos seculares e religiosos, desde a fundação do Islão, aplicados no desenho e construção de edifícios e estruturas. As principais construções da Arquitetura Islâmica são: as Mesquitas, as Túmulos, as Merdesas, os Palácios e os Fortes, sendo que são ainda típicos desta cultura os banhos públicos (Hammans), as fontes, e a arquitectura doméstica.

Fontes em Fez

As colunas ornamentadas, os arcos e as cúpulas embelezam os monumentos e quando se juntam num mesmo edíficio fazem parecer qualquer simples construção num magnífico palácio.
Koubba Ba'Adiyn - Marrakech
Cada uma das dinastias que reinaram em Marrocos teve influências diferenciadas e concederam à paisagem urbana aspectos impares. Os Almorávidas (séc. XI - XII) desenvolveram o estilo mourisco e andaluz, que marcou também a arquitectura do sul de Espanha (ex. Mesquita de Córdova ou Palácio de Alhambra em Granada). Aqui, os magníficos arcos em ferradura, as paredes decoradas com estilizados motivos de folhagens, inscrições em árabe e desenhos com arabescos nas paredes azulejadas concedem grande originalidade aos edifícios. Uma das grandes obras dos Almorávidas, em Marrocos, foi a Koubba Ba'Adiyn, a cúpula em tijolo de uma mesquita antiga em Marrakech.
Mesquita Koutoubia - Marrakech
Nos séc. XII e XIII, a dinastia Almóada atingiu o apogeu e desenvolveu um estilo arquitectónico que viria a ser inigualável. Um dos maiores exemplos desta arquitectura é a Mesquita Koutoubia, em Marrakech, com padrões geométricos e entrelaçados.
Merdesa Bou Inania - Fez
Os Merínidas, nos séc. XIII a XV, utilizaram o mesmo estilo arquitectónico que as dinastias anteriores, no entanto, introduziram um novo edíficio - as Merdesas ou Madrasas (estabelecimento cultural e religioso que incluia mesquita, catedral, residência de estudantes e escola), autênticas obras-primas da arquitectura marroquina. Era a chamada universidade-mesquita, inicialmente dedicada ao estudo da religião, direito, ciência e artes. Com o passar do tempo este estabelecimento viria a tornar-se também um espaço de reflexão. Aqui, o estilo arquitectónico atinge uma ornamentação requintada com azulejos com complexos padrões geométricos e estuque talhado e gravado, assim como portas de madeira talhadas.
Merdesa El-Attarine - Fez

Merdesa Ben Youssef - Marrakech

Nos séc. XVI e XVII, a dinastia Sádida criou novos edíficios como Palácios e Túmulos. Destacam-se, evidentemente, os túmulos sádidas em Marrakech (único local onde tivemos que enfrentar filas intermináveis para visitar) e o Palácio el-Badi, já em ruínas mas que permite um vislumbre do que terá outrora sido. Os túmulos sádidas permaneceram muito tempo negligenciados, já que só no século XX foram descobertos graças ao uso das fotografias aéreas. Aqui o estuque decorativo com rendas de motivos florais e geométricos cobrem as paredes do mausoléu.
Túmulos Sádidas - Marrakech

Os Alauitas, dos séc. XVII até à actualidade, criaram duas grandes cidades em Marrocos. Mulei Ismail foi o responsável pela grandiosidade arquitéctónica de Meknes (quando a transformou numa cidade real) e Sidi Mohammed ben Abdellah fundou Essaouria. Esta última, infelizmente não tivemos oportunidade de visitar, mas Meknes encheu-nos perfeitamente as medidas. O mausoléu de Mulei Ismail é o melhor exemplo arquitéctonico deste período com telhados pirâmidais, arcos de ferradura com relevos decorativos, portas duplas e revestimentos decorativos de pedra esculpida.
Mausoléu de Mulei Ismail

A Era Moderna começou no século XX e prolongou-se durante todo o período do protectorado francês. É desta altura que resultam as Nouvelles Villes existentes um pouco por todas as cidades marroquinas.
Do estilo clássico ao moderno, Marrocos tem um conjunto impar de monumentos interessantíssimos de arquitectura árabe, o que seguramente garante por si só uma viagem inesquecível.
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