Abu Simbel

Abu Simbel fica a 280 km de Assuão e já a 40 km da fronteira com o Sudão, e seria uma povoação desconhecida e esquecida, não fosse o facto de, nas suas imediações se encontrarem os dois templos de Ramsés II e de Hathtor, também chamados os templos de Abu Simbel.

 

Aquando da construção da barragem do Assuão, os templos ficariam submersos pelas águas do lago Nasser, que hoje é o maior lago artificial do mundo, e a UNESCO encarregou-se da tarefa de salvar este património mundial, tendo os templos sido serrados à mão em 1050 blocos, para serem reconstruídos numa colina artificial, a 210 m de distância e 61 m mais acima da sua localização original.


O templo de Ramsés II apresenta uma fachada impressionante, mesmo passados 3250 anos desde a sua edificação. Quatro estátuas colossais, com mais de 20 m de altura, representando Ramsés II sentado olhando na direcção do sol nascente, guardavam a fronteira do Antigo Egipto e a entrada para o templo, onde duas series de 4 colunas e estátuas de Ramsés nos conduzem ao santuário.
  

As paredes estão decoradas com relevos dos deuses egípcios a quem Ramsés faz oferendas, assim como representações das campanhas militares do farão na Síria e Nubia. Estes relevos estão em bom estado de conservação (tendo em conta a sua idade!) e alguns deles ainda tem traços coloridos, o que nos faz ter uma pequena ideia da beleza que este templo teria no tempo da sua construção.


O templo de Hator (deusa esposa do Deus-Sol) tem uma fachada com 6 estátuas de Ramsés e Nefertari, sua esposa. Esta última, ao contrário do habitual na arte egípcia, é representada por estátuas com a mesma dimensão das do faraó. A estrutura do templo é idêntica à do primeiro, sendo de destacar mais uma vez a beleza dos relevos que se podem admirar no seu interior.
  


Outro dos pontos de visita do tour organizado pelo nosso hostel era o templo de Isis, localizado numa ilha perto da barragem do Assuão (originalmente na ilha de Philae, tendo este templo beneficiado também de uma relocalização efectuada pela UNESCO). Complexo de templos construído durante mais de 700 anos durante as épocas ptolemaica e romana do Egipto, foi dedicado ao culto de Isis e foi durante esta época o ponto de peregrinação mais importante do país. 


O culto de Isis, que ressuscitou o seu marido (Osiris) para conceber o seu filho (Horus), era extremamente popular, sendo Isis identificada com outras deusas do Mediterrâneo, acabando por as absorver a todas. É interessante notar que a arte copta (cristã) inicial identificava Maria com Isis e Jesus com Horus! Philae foi assim o último baluarte da religião antiga (onde se diz que foram gravados os últimos hieróglifos), tendo sido encerrado apenas em 551, quando o império romano já tinha uma nova religião oficial, pouco dada a representações pagãs. Alguns dos relevos dos templos sofreram com o fervor religioso dos primeiros cristãos e encontram-se bastante vandalizados.
  

Pode até encontrar-se representações de deuses egípcios em que a cabeça foi destruída e substituída por uma cruz cristã. Vandalismo à parte, e dada a sua localização e dimensão, chegar à ilha de barco e avistar este complexo é ainda uma daquelas raras oportunidades onde se pode sentir um pouco do que seria o Egipto há mais de 2000 anos. Vale bem a pena o acordar de madrugada!

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