A gastronomia marroquina

Quando percorro as ruas e becos da medina sinto o aroma das especiarias. Tentada a passar ao lado do patrimonio gastronómico deste país, quando entrei em Marrocos estava decidida a fazer dieta durante toda a minha estadia (para estar em forma para a ascensão ao Toubkal). Rapidamente percebi que não ia ser possível! Percebi LOGO na primeira refeição em Tanger, a primeira paragem neste país. O baptismo gastronómico foi no restaurante Populaire Savoir du Poisson, em Tanger. Muito se podia escrever sobre este lugar, mas nada lhe faria o jus que merece. Resolvemos experimentar um menu fixo (15€) que tem o melhor da cozinha do norte de Marrocos. Foi uma excelente opção. Começamos com uma sopa de peixe - Harira, um prato de piri-piri (vai-se lá saber para quê?), um prato de deliciosas azeitonas e uma variedade de sete pães (cada um melhor do que o outro). O pão marroquino tem um estatuto quase sagrado neste país e é fácil de perceber porquê... Sempre que comia pão pensava "oh meu deus... que delícia"! De seguida, um tajine de peixe, lulas e gambas, acompanhado por linguado grelhado. Tudo isto, regado por um sumo de 15 frutos que fermenta nas traseiras da loja. Não sei o que leva o sumo, mas nem quero saber, a única coisa que sei é que era maravilhoso! Uma refeição como esta não podia terminar sem sobremesa, e nisso, os marroquinos são exímios... cuzcuz com mel e amêndoas e morangos com mel e pinhões! Bem, para quem estava de dieta! Não há humano que resista!
Comer em Marrocos é uma autêntica aventura. Podemos ser surpreendidos por um restaurante que mais parece um palácio, como o fomos em Fez, no Dar Saada (10€ por pessoa), onde almoçamos tajine de frango com azeitonas e limão (o prato nacional marroquino). De sobremesa, a típica laranja com canela e aromatizada com flor de laranjeira. A comida era óptima mas, nem eu nem o Rui nos preocupamos muito com isso. Estavamos num palácio! Os nossos olhos estavam cheios.

Ainda em Fez, almoçamos na praça Bou-Jeloud, no Thami's, um restaurante com vistas sobre a confusão de turistas que deambulam pela medina. Uma experiência cultural e gastronómica. Desta vez, Tajine de Kefta, almôndegas guisadas com um molho espesso de tomate, cebola e cominhos. Aqui, optamos por comer de sobremesa doces de rua, tais como os kaab ghazhl (pastéis recheados de amêndoa), os stery (doces fritos), as chebakyas (deliciosas cornucópias de massa frita com mel e cobertas de sementes de sésamo e canela) ou os briouats (espécie de chamussas de amêndoa).

Em Marrakech, fomos surpreendidos por pratos incrivelmente bem confeccionados no Ryad Jama, uma riad típica com um pátio interior. Aí, deliciamo-nos com um tajine de carne de vaca com ameixas e borrego com figos e amendôas (só de escrever já estou a salivar!).
Nenhuma viagem a Marrocos está completa sem uma experiência na Praça Jemaa El-Fna, onde à noite os comerciantes montam os seus estabelecimentos (autênticos restaurantes) e servem centenas de turistas. Aqui, experimentamos dois, o 117 e o 1 (já que os restaurantes têm números e não nomes). No primeiro experimentamos variedade de peixes e carnes. Pagamos preço de turista (20€ por pessoa) e não comemos nada bem. No segundo, realmente o número 1, pagamos 5€ por pessoa e comemos como locais: salsichas e espetadas de carneiro cobertas por cominhos. No entanto, nesta praça, nenhuma refeição deve começar sem a visita aos vendedores de caracóis (mais uma maravilha).

Um pouco por todo o lado fomos experimentando os pratos nacionais. O tajine (nosso preferido), o cuzcuz (que nem lhe sentimos o sabor devidamente quando jantamos na base do Erg Chebbi, no deserto do Sahara já que estavamos atónitos com a paisagem) ou as saladas marroquinas (com tomate, cebola, pepino e pimento) fizeram parte da nossa viagem.
Uma cozinha bem temperada, onde as influências árabes, andaluzes e berberes se confundem, mas que não deixam ninguém indiferente... até quem pensa que vai fazer dieta!!!

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