Pesadelo no Tungurahua

Baños é conhecida pelas suas cascatas, pela sua proximidade à orla da floresta amazónica equatoriana mas, principalmente, pela proximidade do vulcão activo - Tungurahua. Este teve uma grande erupção em 1999, levando os vulcanólogos a aconselhar a evacuação imediata da cidade, que foi feita com a ajuda do exército. Mas, a "grande explosão" não se concretizou e, após meses longe das suas casas, entretanto saqueadas, as gentes de Baños resolveram fazer frente a todos e regressar. Desde então, o vulcão teve um breve acordar em Agosto de 2006, mas hoje parece calmo. Até quando? Ninguém sabe. A população é que não parece disposta a voltar a deixar as suas casas por nenhuma razão e os vulcanólogos não são bem vistos por estas bandas...


Nós resolvemos ver um pouco mais de perto este vulcão e fizemos um trekking de um casebre a 2800 m (onde deixamos as bicicletas) até ao refúgio de montanha a 3800 m. O "pesadelo" começou aqui. O tempo estava horrível, com um nevoeiro mais ou menos cerrado, e uma chuva ligeira constante. O autocarro que nos levou de Baños ao casebre a certa altura teve um acidente. Derrapou na lama da estrada indo embater contra uma vertente. Por muita sorte ninguém se aleijou porque colidimos na parte interna da curva. De seguida, saímos do veículo acidentado e ficamos à chuva e ao frio à espera de novos desenvolvimentos! Estes chegaram quase duas horas depois quando uma pick-up conseguiu rebocar o autocarro. Pensávamos que o plano ia ser alterado, mas... não. De manhã ascensão ao refúgio e de tarde descida do vulcão em bicicleta.


A subida foi extenuante, muito inclinada e cheia de lama. Claro que a paisagem, nem vê-la! Após três horas de subida ininterrupta chegamos ao refúgio. Disseram-nos que era um refúgio novo, reconstruído após o velho ter sido destruído na erupção de 1999, mas a diferença entre o novo e o velho era quase nenhuma! Uma casota semi-destruída, e muito fria, onde comemos umas sandes antes de regressarmos para baixo, pelo mesmo caminho. 


Claro que descidas inclinadas e cinzas enlameadas não combinam muito bem! Mas, com a ajuda das galochas e de um bastão improvisado lá se conseguiu fazer. Quase duas horas depois, chegamos às bicicletas. Ainda equacionamos chamar um carro mas ficava caro! Sendo assim, encharcados, enlameados, pegamos nas bicicletas e lançamo-nos estrada abaixo, muito, muito devagarinho porque o tempo e o piso não ajudavam nada! Depois de pedalarmos quase uma hora e meia, na companhia do nosso guia, lá chegamos à agência em Baños. E mais uma vez se confirmou que os últimos podem ser os primeiros! Éramos os últimos a descer e o (único) guia ficou connosco.


Resultado: os outros ciclistas do grupo perderam-se e nós fomos os primeiros a chegar! Acho que foi a única coisa que correu bem neste dia!

Conclusão: se quiserem caminhar e pedalar para ver a paisagem, certifiquem-se que há condições para a ver!!

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